O messy middle
O que é design fast food e o que é design estrela michelin
Em fevereiro, o Figma publicou três relatórios sobre o estado do design em 2026. E no meio de todos os dados, uma tensão fascinante emergiu.
De um lado, a demanda por designers está crescendo. A Designer Fund estima que as vagas de design em seu portfólio cresceram 60% em 2025 em comparação com 2024 . 82% dos líderes dizem que a necessidade de designers em suas empresas aumentou ou se manteve estável.
Do outro, o mercado de trabalho para designers parece mais difícil do que nunca. Como isso é possível?
A resposta está no que os hiring managers estão buscando — e no gap entre isso e o que a maioria dos designers está desenvolvendo.
O que os números dizem
O relatório de contratação do Figma é claro: as empresas querem designers que entendam de AI. 73% dos hiring managers veem uma necessidade crescente de candidatos proficientes em ferramentas de AI, e 79% dizem o mesmo sobre o design de produtos de AI .
Mas o paradoxo está aqui: ao mesmo tempo, 58% ainda apontam o visual polish como uma das cinco habilidades mais importantes . E mais de 45% apontam colaboração, pensamento sistêmico e estratégia de produto como críticos .
Não é uma coisa ou outra. As empresas querem fluência em AI e craft tradicional. Querem designers que possam acelerar com a tecnologia, mas que ainda tenham o julgamento e o gosto para saber o que é bom. (mais uma vez o "taste” aparecendo)
E estão dispostos a pagar por isso. 56% dos hiring managers dizem que a demanda por designers sênior está aumentando, enquanto apenas 25% estão contratando para cargos mais júnior .
O que “craft” significa agora
O relatório “State of the Designer 2026” do Figma chama o momento atual de “messy middle” . É o espaço entre “a AI faz tudo” e “os designers fazem tudo”. É onde a maioria de nós está agora — usando a AI para acelerar, mas ainda descobrindo o que significa fazer um trabalho excelente quando qualquer um pode prototipar.
91% dos designers dizem que as ferramentas de AI melhoram seus designs, e 89% dizem que trabalham mais rápido . Mas o que é “craft” quando a execução é tão fácil?
O relatório argumenta que “craft é inerentemente humano” . Quando a execução é automatizada, o craft migra para o julgamento, a curadoria, a intenção. A habilidade de saber o que fazer, não apenas como fazer.
Eu gosto muito da comparação de fast food x restaurante michelin, tem hora que queremos um big mac e tem horas que queremos um prato sofisticado com sabores que explodem na boca. Ou seja, tem coisa que o “design” da AI funciona, mas tem aquele momento em que o craft é o que vai diferenciar a experiência e a conexão.
A mudança de identidade
O dado mais revelador do “State of the Designer” é sobre satisfação. Designers que usam AI ativamente são 25% mais propensos a dizer que estão satisfeitos no trabalho. Mas o que realmente move o ponteiro é outra coisa: quando os líderes priorizam a excelência em design, os designers são duas vezes mais propensos a se sentir bem sobre seu trabalho .
A satisfação não vem da ferramenta. Vem da autonomia e do reconhecimento.
87% dos designers dizem que o poder de tomada de decisão aumenta seu desempenho. 91% dizem que objetivos claros ajudam . O que os designers mais bem-sucedidos em 2026 têm em comum não é a ferramenta que usam — é a clareza sobre o que estão tentando fazer.
A conexão com o HBR
Em fevereiro, a Harvard Business Review publicou um artigo sobre a necessidade de “agent managers” — pessoas responsáveis por orquestrar como os agentes de AI aprendem, colaboram e performam .
“Assim como os product managers se tornaram indispensáveis durante a revolução do software, os agent managers estão rapidamente se tornando o tecido conjuntivo entre a intenção estratégica e a execução autônoma.” — Suraj Srinivasan e Vivienne Wei, HBR
Para os designers, a mesma lógica se aplica. Se a AI gerencia a execução (a Salesforce já resolve 74% dos seus casos de suporte com agentes autônomos ), os designers gerenciam a intenção. O que o produto deve fazer? Como deve se sentir? O que é “bom” aqui?
O que isso significa na prática
Daniel Wert, CEO da Wert&Co, uma empresa de recrutamento executivo, disse ao Figma: “As melhores equipes têm múltiplas pessoas com pontos fortes complementares — não um único super-herói” .
O que os hiring managers realmente querem não é um designer que sabe tudo. É um designer que sabe o que faz bem, colabora no que não sabe, e usa a AI para preencher as lacunas.
Isso é diferente de “aprenda todas as ferramentas de AI”. É mais próximo de “saiba o que você está tentando fazer e use o que for preciso para chegar lá”.
O que realmente importa agora
O messy middle não é um problema a ser resolvido. É o estado natural de uma transição.
Os designers que estão navegando bem nele não são os que dominaram todas as ferramentas de AI. São os que têm clareza sobre o que craft significa para eles, autonomia para tomar decisões e humildade para colaborar.
E, aparentemente, isso é exatamente o que estamos precisando.
Referência:
https://www.figma.com/blog/why-demand-for-designers-is-on-the-rise/
https://www.figma.com/blog/state-of-the-designer-2026/


